O licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras ou degradadoras do meio ambiente é um dos pilares da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela Lei Federal nº 6.938/1981. Dentre os instrumentos de avaliação de impacto ambiental, destaca-se o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), exigidos para empreendimentos de significativo impacto.
Este artigo visa analisar os aspectos jurídicos do EIA/RIMA, desde a sua fundamentação legal até a elaboração de modelos práticos para advogados que atuam na área ambiental, com foco em jurisprudência relevante e dicas de atuação.
A Fundamentação Legal do EIA/RIMA
A exigência do EIA/RIMA encontra respaldo na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, § 1º, IV, que impõe ao Poder Público o dever de exigir, na forma da lei, para a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade.
A Lei Federal nº 6.938/1981, que institui a PNMA, em seu artigo 9º, inciso III, elenca a avaliação de impactos ambientais como um de seus instrumentos, delegando ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) a competência para estabelecer critérios e normas para a exigência do EIA/RIMA.
A Resolução CONAMA nº 01/1986, principal norma que regulamenta o EIA/RIMA, define os empreendimentos sujeitos ao estudo e estabelece as diretrizes para a sua elaboração, incluindo a necessidade de análise de alternativas locacionais e tecnológicas, a identificação e avaliação dos impactos ambientais e a proposição de medidas mitigadoras e compensatórias.
A Jurisprudência sobre EIA/RIMA
O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm firmado jurisprudência consolidada sobre a obrigatoriedade do EIA/RIMA e os requisitos para a sua validade.
A Obrigatoriedade do EIA/RIMA
O STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1.086/DF, reconheceu a constitucionalidade da exigência do EIA/RIMA para empreendimentos de significativo impacto ambiental, ressaltando o princípio da prevenção e a necessidade de avaliação prévia dos riscos e impactos ambientais.
O STJ, por sua vez, tem reiterado a obrigatoriedade do EIA/RIMA para atividades como a mineração, a construção de usinas hidrelétricas e a instalação de aterros sanitários, independentemente do porte do empreendimento, desde que seja considerado potencialmente causador de significativa degradação ambiental.
A Validade do EIA/RIMA
A jurisprudência também tem se debruçado sobre os requisitos para a validade do EIA/RIMA. O STJ tem entendido que o estudo deve ser elaborado por equipe multidisciplinar, com a participação de profissionais de diferentes áreas do conhecimento, e que deve ser garantida a participação popular no processo de licenciamento ambiental.
Modelos Práticos para Advogados
A elaboração de um EIA/RIMA exige conhecimento técnico e jurídico. Para auxiliar os advogados na elaboração de peças processuais e na análise de estudos ambientais, apresentamos a seguir modelos práticos de documentos relacionados ao EIA/RIMA.
Modelo 1: Termo de Referência (TR)
O Termo de Referência (TR) é o documento que estabelece as diretrizes e o escopo do EIA/RIMA, definindo os estudos e levantamentos que devem ser realizados.
Estrutura Básica do TR:
- Introdução: Apresentação do empreendimento e do objetivo do TR.
- Justificativa: Demonstração da necessidade e da viabilidade do empreendimento.
- Área de Influência: Delimitação da área que será afetada pelos impactos do empreendimento.
- Diagnóstico Ambiental: Levantamento de dados sobre o meio físico, biótico e socioeconômico da área de influência.
- Avaliação de Impactos Ambientais: Identificação e análise dos impactos ambientais do empreendimento.
- Medidas Mitigadoras e Compensatórias: Proposição de medidas para minimizar ou compensar os impactos ambientais.
- Programa de Monitoramento: Definição de indicadores e metodologias para o acompanhamento dos impactos ambientais.
Modelo 2: Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)
O RIMA é o documento que apresenta de forma acessível e compreensível os resultados do EIA, com o objetivo de informar a sociedade sobre os impactos do empreendimento e as medidas propostas para mitigá-los ou compensá-los.
Estrutura Básica do RIMA:
- Apresentação: Resumo do empreendimento e do objetivo do RIMA.
- Descrição do Empreendimento: Detalhamento do projeto, incluindo alternativas locacionais e tecnológicas.
- Diagnóstico Ambiental: Resumo dos dados sobre o meio ambiente da área de influência.
- Avaliação de Impactos Ambientais: Apresentação dos principais impactos do empreendimento, com linguagem clara e acessível.
- Medidas Mitigadoras e Compensatórias: Descrição das medidas propostas para minimizar ou compensar os impactos.
- Conclusões e Recomendações: Avaliação final sobre a viabilidade ambiental do empreendimento.
Dicas Práticas para Advogados
- Acompanhamento Processual: O advogado deve acompanhar de perto o processo de licenciamento ambiental, desde a elaboração do TR até a aprovação do EIA/RIMA, garantindo a participação popular e a observância dos prazos legais.
- Análise Crítica do EIA/RIMA: O advogado deve analisar criticamente o EIA/RIMA, verificando se o estudo atende aos requisitos legais e se os impactos ambientais foram devidamente avaliados e mitigados.
- Assessoria Técnica: É fundamental contar com o apoio de profissionais de diferentes áreas do conhecimento, como biólogos, geólogos e engenheiros ambientais, para a elaboração e análise de estudos ambientais.
- Participação em Audiências Públicas: O advogado deve participar ativamente das audiências públicas, apresentando questionamentos e sugestões para a melhoria do EIA/RIMA e do projeto do empreendimento.
- Ação Judicial: Caso o EIA/RIMA seja considerado insuficiente ou irregular, o advogado pode ingressar com ação judicial para anular o licenciamento ambiental ou exigir a realização de novos estudos.
Conclusão
O EIA/RIMA é um instrumento fundamental para a proteção do meio ambiente e a garantia do desenvolvimento sustentável. A atuação do advogado na área ambiental exige conhecimento técnico e jurídico, além de habilidade para analisar estudos complexos e defender os interesses de seus clientes, sempre pautado nos princípios do direito ambiental e na jurisprudência consolidada. A utilização de modelos práticos pode facilitar o trabalho do advogado e contribuir para a elaboração de peças processuais mais consistentes e eficazes.
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e didático. Deve ser verificado e adaptado a cada caso concreto por profissional habilitado. Acesse advogando.ai para mais recursos.